Livros de 2020 — para 2021

Image for post
Image for post

Durante a quarentena, teve quem aprendeu a fazer pão. Teve também quem finalmente começou a praticar yoga, quem terminou a tal reforma do quarto que prometia há anos. Tudo isso, até maio, claro. Depois, ninguém fez mais nada de novo, considerando que, naquele momento, não entendíamos como esse vírus ainda poderia estar nos rodeando. Pois é. É (quase) 2021, e ainda estamos aí.

Me lembro que pensei, naquela fatídica segunda semana de março, em fazer uma série de posts no meu Instagram de “leituras da quarentena”, como se todos tivéssemos simplesmente tirado rápidas férias, de algumas semanas, para logo retornar à rotina. Alguém mais fez algo assim?

Mas livros são exatamente o assunto que gostaria de discutir hoje, para além dos meus planos de outono que (ainda bem!) não levei para frente. Durante esse ano, li uma quantidade enorme de livros. Como nunca antes havia feito. Passei da casa dos 100, algo pra mim surpreendente. Acho que, apesar de ter continuado trabalhando (privilégio que nem todos puderam ter), tive mais tempo comigo mesma, sozinha. Não estava tendo aula, o que me garantiu manhãs com café e livro livro e café. O ambiente caseiro pode ser muito rotineiro e recluso, o que, para mim, estimulou o desenvolvimento do hábito da leitura.

Pensando nisso e sem saber o que fazer com tantas histórias e palavras que se acumulam na minha cabeça — frente a incapacidade de, agora, produzir resenhas atrasadas, decidi fazer uma lista destacando os meus livros favoritos. Será uma lista de indicações baseada em sentimentos e sensações, por assim dizer: se estiver sentindo isso, leia aquilo. Vale escolher mais de um, se for o caso. Simbora.

  1. Se estiver sentindo que teve poucas experiências novas em 2020, leia Os da minha rua, do Ondjaki, em 2021
  2. Se sentir que consumiu pouco conteúdo nacional além de meme contra o governo, leia Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior
  3. Se sentir que finalmente aceitou que Apanhador no campo de centeio não é para você, leia O marinheiro que perdeu as graças do mar, do Yukio Mishima
  4. Se acha que conviveu com pouca idosa fofoqueira nesse ano que passou, leia Aqui estão as minhas contas, da Adélia Prado
  5. Se estiver se sentindo claustrofóbico, leia Esboço, da Rachel Cusk
  6. Se ainda sentir falta de viajar, leia Os donos do inverno, do Altair Martins
  7. Se apertar a saudade da família e amigos, leia Um outro Brooklyn, de Jacqueline Woodson
  8. Se a vida real ainda não foi suficiente, leia Solução de Dois Estados, do Michel Laub
  9. Se sentir falta de ingenuidade e descobertas, leia Querida Konbini, da Sayaka Murata
  10. Se nenhum filme de comédia tiver mais graça, leia Meio intelectual, meio de esquerda, do Antonio Prata

Essas são as minhas humildes indicações para 2021, que começa sem que 2020 tenha terminado. Boa leitura!

Jornalismo - UFRJ. Escreve sobre livros.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store